A
proximidade entre a escola e a comunidade constitui-se em um fator predominante
para o processo de ensino e aprendizagem de qualidade. Saber o que se passa na
escola, informar-se quanto aos seus propósitos, planejamento, metas e ações que
serão desencadeadas para alcançá-las, formas de participação e ajuda, requer
acesso a informação e diálogo
Frente
a este cenário a gestão precisa buscar meios de ir ao encontro dessa
comunidade.
Percebemos
um grande crescimento do uso da internet e um elevado acesso as tecnologias da
informação e comunicação e a criação de estratégias informatizadas para que a
comunidade possa acompanhar, interagir, questionar e colaborar com o processo
de aprendizagem pode ser uma ponte entre a escola e a comunidade.
Criar
mecanismos como estes traz consigo algumas indagações: E a inclusão digital?
Será que toda a comunidade terá condições de fazer uso dessas ferramentas? Qual
o uso que nossos alunos estão fazendo? Estão incluídos digitalmente?
Tanto
na escola, como em nossas casas percebemos a velocidade com que as tecnologias
avançam, sistemas operacionais se alteram, modelos de aparelhos também,
determinadas formas de exercício da cidadania estão limitadas a capacidade de
fazer uso dessas tecnologias, como quando é necessária uma inscrição pela
internet, um agendamento pela internet, a segunda via de um boleto pela
internet, mas é em grande parte desconsiderado que boa parte da população,
embora existam programas do governo que disponibilizam equipamentos de acesso
gratuito ainda não está formada para o uso eficaz dessas tecnologias, não estão
“alfabetizadas” para esse exercício. Então temos, até o presente momento uma
parcela dessa comunidade sofrendo pela exclusão digital.
O
papel do gestor é o de tratar junto à comunidade sobre caminhos possíveis de se
inserir essas tecnologias digitais no processo de ensino-aprendizagem, e se
queremos uma sociedade capaz de fazer uso delas, precisamos também inseri-las
no projeto político-pedagógico da escola. Espaços como a sala de informática,
lousa digital, vídeo e outros devem ser valorizados e utilizados, mas com
cautela. A sociedade atual tem uma presença muito forte no mundo digital,
nossos alunos são “nativos digitais”, por isso a educação não pode
desconsiderá-lo, mas é preciso cautela de como o incorporamos, para que o
caráter distrativo não se sobressaia. Ele deve ser acessado para pesquisa,
comunicação, extensão de assuntos ao público, potencializando suas
características no que tange a simultaneidade, mobilidade, instantaneidade,
pois se temos um novo público é preciso refletir sobre novos paradigmas, como
disse o físico alemão Albert Einstein: “Tolice é fazer as coisas sempre do
mesmo jeito e esperar resultados diferentes”, mas nunca privar a educação da
comunicação direta, do trabalho do professor, da formação.
A
inclusão digital precisa estar, antes de mais nada, ligada a um projeto muito
maior, que é de educação e inclusão social, refletindo nessa mudança sem
abandonar o que precisa ser preservado na nossa história, sendo flexíveis sem
ser volúveis, valorizando especialmente, como diz Mario Sergio Cortella, o uso
da mais avançada tecnologia humana “um dispositivo chamado cérebro”. Desafiemos
nossos alunos, dinamizemos com eles, façamos uma aula expositiva, mas que
possamos também propor a pesquisa, a exibição de vídeos, jogos interativos,
associação da realidade ao conteúdo trabalhado. Busquemos garantir condições
para que essas atividades de realizem, dialogando com a escola sobre os
problemas enfrentados e unindo forças na resolução desses problemas.
Que
a escola possa colaborar não só ensinando a aprender mas ensinando a ensinar.
Que nossos alunos sejam disseminadores de boas práticas. Que tenham
conhecimentos das inciativas da escola, que participem. A escola tem de levar
em conta o foco e o interesse dos alunos, ninguém deixa de se interessar por
aquilo que interessa. Que conversem sobre elas com seus pais e que a comunidade
inteirada e participativa possa junto com a escola assumir a responsabilidade
sobre o processo educativo.