Definir
as prioridades da escola é uma ação de suma importância para a melhoria da
situação escolar. Sabemos que cada escola é singular e assim sendo têm seus
próprios problemas e deve traçar seus próprios caminhos para resolvê-los, mas
para tanto toda a representatividade da comunidade escolar precisa estar engajada
num movimento de reflexão e de priorização dos problemas que pretende resolver
por meio de ações específicas.
Ao
longo das diversas reuniões realizadas foi possível discutir as dimensões
políticas e pedagógicas da instituição, bem como características do município e
do bairro. Nesse momento é necessário expressar nossa intencionalidade
política, reafirmando os valores coletivos e colocar, por meio do
direcionamento de ações para desafios considerados mais relevantes, tendo em
vista a melhoria da qualidade do processo de ensino e aprendizagem na escola,
um horizonte próximo a transformação da realidade. Significa, dessa forma,
pensar ações concretas para alcançar a melhoria da problemática em questão, de
modo partilhado, levando em consideração o histórico da educação e da escola,
compreendendo suas transformações, o que deixará explícito os esforços sobre o
tipo de sociedade que a escola se compromete e pretende formar.
Conforme
Vasconcellos (1995), o diagnóstico “não é simplesmente um retrato da realidade
ou um mero levantar de dificuldades; antes de tudo é um confronto entre a
situação que vivemos e a situação que desejamos viver”.
De
acordo com Veiga (2000, p.23), “a escola persegue finalidades”, por isso é
necessário que se tenha claro quais são essas e o trabalho de reflexão e
interrogação sobre o que se pretende alcançar possibilita a definição dos
critérios e a projeção em termos do que se espera para a escola.
No
decorrer dos encontros e reuniões realizadas foi possível verificar muitas necessidades
da escola, umas mais complexas e maiores inclusive, do que a real capacidade da
escola para resolvê-las (como necessidades de maiores reformas, estado de
conservação de materiais e possibilidade de acesso à internet), pois demandam
ação do governo municipal uma vez que requer a disponibilização de recursos
financeiros e/ou processos licitatórios.
Gandin
(1994) sugere que se analise a necessidade da escola considerando dois
critérios: a) o que é necessário; e b) o que é exequível. De acordo com o autor
muitas vezes o que é necessário não está dentro das possibilidades de resolução
da escola nas condições em que se encontra. Desse modo o autor propõe a
definição das prioridades, considerando o que é considerado mais necessário,
oportuno e urgente fazer.
Mais uma vez, conforme já tratado em
reuniões anteriores a comunidade escolar priorizou tratar da problemática da
falta de participação dos pais nas atividades e no acompanhamento escolar dos
filhos. A escola conta com docentes e funcionários muito dedicados no
planejamento de suas atividades desenvolvidas, tanto nas atividades propostas
aos alunos, como nas reuniões de pais realizadas, conta ainda com iniciativas
de oferta de palestras e teatros que buscam conscientizar a comunidade sobre os
benefícios que uma educação realizada com a parceria da escola e da família
pode trazer a qualidade da educação, e tal ponto precisa ser valorizado, mas
devido ao diagnóstico de que uma pequena parcela de pais é atuante e
participativa nessas atividades e ainda considerando a necessidade de maximizar
essa participação e consequentemente potencializar o poder educacional, ficou
assim estabelecido o principal foco dos trabalhos que serão desencadeados.
Contudo, para que os objetivos
possam ser alcançados, é necessário que haja mobilização da comunidade de forma
contínua. Mobilização essa de caráter educativo, considerando que envolve a
participação de todos, a discussão dos problemas ou situações que estão em sua
origem, tornando possível ainda o que foi denominado por Paulo Freire como
Conscientização. É preciso que o objetivo principal que move os envolvidos
tenha “sentido”. Precisa estar atrelado às necessidades desses envolvidos,
mesmo que essas necessidades muitas vezes não sejam conhecidas por todos. Isso
implica levar em consideração, por exemplo dados que sinalizam grande número de
pais com compromissos de trabalho e outros que afetam diretamente na resolução
do problema.
O coletivo escolar deve realizar o
planejamento das ações com base em alguns pontos referenciais como: a) qual a
melhor forma de mobilizar as famílias?, b) qual a melhor forma de comunicação a
ser utilizada?, c) qual seria o conteúdo dessa comunicação?, d) quais os
recursos que serão necessários nas ações? a escola possui esses recursos?, e)
quanto tempo e em que período acontecerá? e f) irá envolver outros segmentos
como o entorno da escola? Ou seja as ações precisam ser coordenadas com um
responsável por cada uma delas e as estratégias ou “caminhos” que serão
utilizados serem bem definidos.
Durante a discussão a comunidade foi
bastante ativa e participativa, levantando previamente os problemas que
determinadas sugestões poderiam desencadear a fim de encontrar as melhores
ideias de estratégias levantadas, dentre elas foram apontadas as seguintes:
- pesquisa com os pais a respeito do
melhor horário para realização das reuniões;
- informar previamente sobre as
reuniões por meios virtuais, caixas de som no portão de entrada, banner no muro
da escola, contato telefônico com responsáveis onde observou-se maior índice de
falta de participação;
- elaboração de livreto ou similar
(com imagens e diálogos) sobre a importância da participação nas reuniões;
- inovações na estrutura das
reuniões, como por meio de organização de chás, sorteios de cestas e exposição
de fotos e trabalhos escolares.
Ao final desse momento ficou clara a
sensação de mais uma etapa alcançada, pois traduziu, na prioridade elencada,
formas de encaminhamento por meio da participação coletiva da comunidade e
quais as melhores formas para alcançar os resultados esperados, estando mais
próximo do objeto final (Plano de Intervenção) que dará continuidade e norteará
as ações a fim de melhorar a qualidade da educação na escola.
Referências
GANDIN, D. A prática do planejamento participativo.
Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. 184p.
VASCONCELOS, C. Planejamento:
plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo - elementos metodológicos para
elaboração e realização. São Paulo: Libertad, 1995 (Cadernos Pedagógicos do
Libertad; v. 1).
VEIGA, I. P. A. Projeto
Político-Pedagógico da escola: uma construção possível. 10ª ed. Campinas:
Papirus, 2000. 192p.