segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A relação entre a inclusão digital e o trabalho de gestão e diálogo com a comunidade escolar

A proximidade entre a escola e a comunidade constitui-se em um fator predominante para o processo de ensino e aprendizagem de qualidade. Saber o que se passa na escola, informar-se quanto aos seus propósitos, planejamento, metas e ações que serão desencadeadas para alcançá-las, formas de participação e ajuda, requer acesso a informação e diálogo
Frente a este cenário a gestão precisa buscar meios de ir ao encontro dessa comunidade.
Percebemos um grande crescimento do uso da internet e um elevado acesso as tecnologias da informação e comunicação e a criação de estratégias informatizadas para que a comunidade possa acompanhar, interagir, questionar e colaborar com o processo de aprendizagem pode ser uma ponte entre a escola e a comunidade.
Criar mecanismos como estes traz consigo algumas indagações: E a inclusão digital? Será que toda a comunidade terá condições de fazer uso dessas ferramentas? Qual o uso que nossos alunos estão fazendo? Estão incluídos digitalmente?
Tanto na escola, como em nossas casas percebemos a velocidade com que as tecnologias avançam, sistemas operacionais se alteram, modelos de aparelhos também, determinadas formas de exercício da cidadania estão limitadas a capacidade de fazer uso dessas tecnologias, como quando é necessária uma inscrição pela internet, um agendamento pela internet, a segunda via de um boleto pela internet, mas é em grande parte desconsiderado que boa parte da população, embora existam programas do governo que disponibilizam equipamentos de acesso gratuito ainda não está formada para o uso eficaz dessas tecnologias, não estão “alfabetizadas” para esse exercício. Então temos, até o presente momento uma parcela dessa comunidade sofrendo pela exclusão digital.
O papel do gestor é o de tratar junto à comunidade sobre caminhos possíveis de se inserir essas tecnologias digitais no processo de ensino-aprendizagem, e se queremos uma sociedade capaz de fazer uso delas, precisamos também inseri-las no projeto político-pedagógico da escola. Espaços como a sala de informática, lousa digital, vídeo e outros devem ser valorizados e utilizados, mas com cautela. A sociedade atual tem uma presença muito forte no mundo digital, nossos alunos são “nativos digitais”, por isso a educação não pode desconsiderá-lo, mas é preciso cautela de como o incorporamos, para que o caráter distrativo não se sobressaia. Ele deve ser acessado para pesquisa, comunicação, extensão de assuntos ao público, potencializando suas características no que tange a simultaneidade, mobilidade, instantaneidade, pois se temos um novo público é preciso refletir sobre novos paradigmas, como disse o físico alemão Albert Einstein: “Tolice é fazer as coisas sempre do mesmo jeito e esperar resultados diferentes”, mas nunca privar a educação da comunicação direta, do trabalho do professor, da formação.
A inclusão digital precisa estar, antes de mais nada, ligada a um projeto muito maior, que é de educação e inclusão social, refletindo nessa mudança sem abandonar o que precisa ser preservado na nossa história, sendo flexíveis sem ser volúveis, valorizando especialmente, como diz Mario Sergio Cortella, o uso da mais avançada tecnologia humana “um dispositivo chamado cérebro”. Desafiemos nossos alunos, dinamizemos com eles, façamos uma aula expositiva, mas que possamos também propor a pesquisa, a exibição de vídeos, jogos interativos, associação da realidade ao conteúdo trabalhado. Busquemos garantir condições para que essas atividades de realizem, dialogando com a escola sobre os problemas enfrentados e unindo forças na resolução desses problemas.

Que a escola possa colaborar não só ensinando a aprender mas ensinando a ensinar. Que nossos alunos sejam disseminadores de boas práticas. Que tenham conhecimentos das inciativas da escola, que participem. A escola tem de levar em conta o foco e o interesse dos alunos, ninguém deixa de se interessar por aquilo que interessa. Que conversem sobre elas com seus pais e que a comunidade inteirada e participativa possa junto com a escola assumir a responsabilidade sobre o processo educativo.

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