segunda-feira, 9 de março de 2015

DEFININDO AS PRIORIDADES DA ESCOLA ABIMAEL

Definir as prioridades da escola é uma ação de suma importância para a melhoria da situação escolar. Sabemos que cada escola é singular e assim sendo têm seus próprios problemas e deve traçar seus próprios caminhos para resolvê-los, mas para tanto toda a representatividade da comunidade escolar precisa estar engajada num movimento de reflexão e de priorização dos problemas que pretende resolver por meio de ações específicas.
Ao longo das diversas reuniões realizadas foi possível discutir as dimensões políticas e pedagógicas da instituição, bem como características do município e do bairro. Nesse momento é necessário expressar nossa intencionalidade política, reafirmando os valores coletivos e colocar, por meio do direcionamento de ações para desafios considerados mais relevantes, tendo em vista a melhoria da qualidade do processo de ensino e aprendizagem na escola, um horizonte próximo a transformação da realidade. Significa, dessa forma, pensar ações concretas para alcançar a melhoria da problemática em questão, de modo partilhado, levando em consideração o histórico da educação e da escola, compreendendo suas transformações, o que deixará explícito os esforços sobre o tipo de sociedade que a escola se compromete e pretende formar.
Conforme Vasconcellos (1995), o diagnóstico “não é simplesmente um retrato da realidade ou um mero levantar de dificuldades; antes de tudo é um confronto entre a situação que vivemos e a situação que desejamos viver”.
De acordo com Veiga (2000, p.23), “a escola persegue finalidades”, por isso é necessário que se tenha claro quais são essas e o trabalho de reflexão e interrogação sobre o que se pretende alcançar possibilita a definição dos critérios e a projeção em termos do que se espera para a escola.
No decorrer dos encontros e reuniões realizadas foi possível verificar muitas necessidades da escola, umas mais complexas e maiores inclusive, do que a real capacidade da escola para resolvê-las (como necessidades de maiores reformas, estado de conservação de materiais e possibilidade de acesso à internet), pois demandam ação do governo municipal uma vez que requer a disponibilização de recursos financeiros e/ou processos licitatórios.
Gandin (1994) sugere que se analise a necessidade da escola considerando dois critérios: a) o que é necessário; e b) o que é exequível. De acordo com o autor muitas vezes o que é necessário não está dentro das possibilidades de resolução da escola nas condições em que se encontra. Desse modo o autor propõe a definição das prioridades, considerando o que é considerado mais necessário, oportuno e urgente fazer.
             Mais uma vez, conforme já tratado em reuniões anteriores a comunidade escolar priorizou tratar da problemática da falta de participação dos pais nas atividades e no acompanhamento escolar dos filhos. A escola conta com docentes e funcionários muito dedicados no planejamento de suas atividades desenvolvidas, tanto nas atividades propostas aos alunos, como nas reuniões de pais realizadas, conta ainda com iniciativas de oferta de palestras e teatros que buscam conscientizar a comunidade sobre os benefícios que uma educação realizada com a parceria da escola e da família pode trazer a qualidade da educação, e tal ponto precisa ser valorizado, mas devido ao diagnóstico de que uma pequena parcela de pais é atuante e participativa nessas atividades e ainda considerando a necessidade de maximizar essa participação e consequentemente potencializar o poder educacional, ficou assim estabelecido o principal foco dos trabalhos que serão desencadeados.
            Contudo, para que os objetivos possam ser alcançados, é necessário que haja mobilização da comunidade de forma contínua. Mobilização essa de caráter educativo, considerando que envolve a participação de todos, a discussão dos problemas ou situações que estão em sua origem, tornando possível ainda o que foi denominado por Paulo Freire como Conscientização. É preciso que o objetivo principal que move os envolvidos tenha “sentido”. Precisa estar atrelado às necessidades desses envolvidos, mesmo que essas necessidades muitas vezes não sejam conhecidas por todos. Isso implica levar em consideração, por exemplo dados que sinalizam grande número de pais com compromissos de trabalho e outros que afetam diretamente na resolução do problema.
            O coletivo escolar deve realizar o planejamento das ações com base em alguns pontos referenciais como: a) qual a melhor forma de mobilizar as famílias?, b) qual a melhor forma de comunicação a ser utilizada?, c) qual seria o conteúdo dessa comunicação?, d) quais os recursos que serão necessários nas ações? a escola possui esses recursos?, e) quanto tempo e em que período acontecerá? e f) irá envolver outros segmentos como o entorno da escola? Ou seja as ações precisam ser coordenadas com um responsável por cada uma delas e as estratégias ou “caminhos” que serão utilizados serem bem definidos.
            Durante a discussão a comunidade foi bastante ativa e participativa, levantando previamente os problemas que determinadas sugestões poderiam desencadear a fim de encontrar as melhores ideias de estratégias levantadas, dentre elas foram apontadas as seguintes:
            - pesquisa com os pais a respeito do melhor horário para realização das reuniões;
         - informar previamente sobre as reuniões por meios virtuais, caixas de som no portão de entrada, banner no muro da escola, contato telefônico com responsáveis onde observou-se maior índice de falta de participação;
          - elaboração de livreto ou similar (com imagens e diálogos) sobre a importância da participação nas reuniões;
          - inovações na estrutura das reuniões, como por meio de organização de chás, sorteios de cestas e exposição de fotos e trabalhos escolares.
            Ao final desse momento ficou clara a sensação de mais uma etapa alcançada, pois traduziu, na prioridade elencada, formas de encaminhamento por meio da participação coletiva da comunidade e quais as melhores formas para alcançar os resultados esperados, estando mais próximo do objeto final (Plano de Intervenção) que dará continuidade e norteará as ações a fim de melhorar a qualidade da educação na escola.


Referências

GANDIN, D. A prática do planejamento participativo. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. 184p.

VASCONCELOS, C. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo - elementos metodológicos para elaboração e realização. São Paulo: Libertad, 1995 (Cadernos Pedagógicos do Libertad; v. 1).


VEIGA, I. P. A. Projeto Político-Pedagógico da escola: uma construção possível. 10ª ed. Campinas: Papirus, 2000. 192p.

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